Será que não incorro no perigo de cair na mesmice ao fazer um retrospecto das coisas que passei no ano de 2010, e das coisas que espero para este ano? Acho que sim, por isso tentarei negar o óbvio e ser menos enfadonho. Mas como poderei negá-lo? É curioso que, quando mais tentamos não ser filosóficos, é que mais o somos. É um erro do qual não consigo me privar.
O que acredito que de melhor ocorra nestes retrospectos, é a percepção que alcançamos a cada ano que se passa. Qual percepção? A percepção sobre tudo. Sobre o que se sente em cada momento, sobre a amplitude de emoções e esperanças, sobre o que a relação com os outros pode lhe reservar, ou sobre o porquê das escolhas que tomamos, e o quanto ela nos afetou e afetou os outros.
É evidente que não paramos exatamente para pensar nestas coisas. Na verdade quando fazemos este retrospecto, o que primeiro fazemos é pensar no material, no que se conquistou física ou financeiramente, e até mesmo nas conquistas sexuais, e quem pode negar que isso não seja bom, afinal é real, e pelo menos 99% do que vivemos verdadeiramente.
Vou falar do meu 1%, que acho que foi o responsável por algumas mudanças de pensamento no decorrer do ano. Não pretendo falar aqui sobre decepções, por que elas já não ocorrem mais.
No decorrer do ano (e por que não dizer da vida) observei que certas mudanças de pensamento ocorrem mediante ocasiões voluntárias de atitude. Por exemplo: as pessoas normalmente procuram nas atitudes do cotidiano alcançar satisfações ou agir, se embasando na ocasionalidade do dia-a-dia, pois sem isso, sua verdadeira essência seria pouco honesta. Que essência na verdade, se suas atitudes não são verdadeiras, se sua vivência e relação com os outros são pouco honestas?
Na verdade, se formos pensar em individualidade estas pessoas estariam agindo conforme se espera, vivendo por si mesmas e visando objetivos que fazem bem a elas primeiro, e quem poderia acusa-las de serem egoístas? Invoco aquela antiga frase que nos torna verdadeiros conosco mesmo: “O primeiro amor, é o amor próprio”.
Mas por que então abrir um assunto tão paradoxo? Não pretendo com isso abrir um postulado de boas ações, ou dizer que viver desse ou daquele jeito é o melhor. Não! Não sou o exemplo e nem procuro o ser, deixo a tarefa para os sábios. Só pretendo mesmo é expressar o que sinto nas determinadas situações (e até mesmo confessar alguns erros que me tornam iguais a qualquer um: graças a Deus).
O que faz um conhecido, que até então tinha uma boa relação contigo, lhe virar a cara quando você o encontra com um círculo de amigos diferentes? O que faz uma pessoa te procurar pra satisfazer determinados desejos passionais ou sexuais, e depois simplesmente fingir que não te conhece? O que faz uma pessoa perder sua confiança somente por que você foi você mesmo, e não um fantoche predeterminado a viver o que as esperanças egoístas dela sonhavam? Afinal o que faz você errar tentando somente acertar?
Estas foram as dúvidas que me nortearam este ano, que me levaram a refletir o quando é tortuoso o convívio honesto com a vida. Você encontra pessoas no caminho que sempre esperam de você o superior ao que você pode dar. Encontra gente disposta a te oferecer aquilo que você não quer e que ela descobre não possuir por completo. Vivem a imaginar o que você pode desejar, e você pode apenas querer o simples, o honesto. Acabamos com isso a semear relações que nos são nocivas que nos levam a sofrer por atitudes que nem foram causadas por erros seus (o que seria compreensivo), mas por desacertos alheios. Nunca nos ouve uma promessa verdadeira de que viver seria fácil, e com isso aprendemos também a não prometer honestidade, entrega, amor, amizades eternas, por que então há tanta gente imaginando que somos perfeitos?
Não pretendia ser melancólico nas minhas reflexões, e nem tampouco pessimista, por isso talvez, deva eu deixar bem claro que estas constatações, antes de me deixar frustrado, me fizeram um extremo bem. Elas me levaram a crer na esperança, me fizeram crer num futuro promissor. Com essas relações mais estreitas as pessoas talvez descubram que a sinceridade (ou honestidade, que é como prefiro), é o melhor caminho de uma boa sociabilidade com os outros.
Há anos pessoas mais letradas do que nós, simples blogueiros, procuram receitas de bem viver em sociedade. Mas nada é mais educativo do que a experiência. Ninguém consegue privar ninguém de viver, e a vida é a escola. Clichê sim, mas quem não o é?
Esta reflexão me fez voltar atrás e imaginar o que teria feito eu, se não fosse ainda uma pessoa honesta comigo mesma. Sim, por que ser honesto com o mundo é algo que para muitos pode ser devastador. Por isso é necessário, antes, sermos honestos conosco mesmo, e é o mais difícil passo a ser tomado. Após esta clareza de ideias, você pode facilmente viver em conformidade com seus ideais.
No que concerne ao resto, imagino que mudei o pensamento a lidar com estas pessoas que são agentes do medo, do irreal. É possível conviver com elas sim. E nada melhor do que o exemplo de quem extirpou de si todos estes entraves. De quem vive em fidelidade aos próprios valores, e faz o mundo a sua volta ficar cada dia mais colorido.
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